A cidade dorme, com Luiz Ruffato

Date: 17 de março de 2018
Time: 16:00  to  18:00

No dia 17 de março, às 16 horas, receberemos o premiado escritor Luiz Ruffato para conversa sobre seu novo livro, “A cidade dorme” (Companhia das Letras), que reúne vinte narrativas escritas nos últimos quinze anos publicadas em jornais, revistas ou antologias. A edição traz também um conto inédito, “O homem que colecionava horas”.

Juntas, as narrativas compõem um painel poderoso sobre a passagem do tempo e as dinâmicas da família e da memória. A partir de um ponto de vista pouco presente na literatura brasileira, o do trabalhador urbano de classe média baixa, Ruffato tece uma reflexão contundente sobre o Brasil dos grandes centros e periferias. Segundo o autor, filho de um pipoqueiro e de uma lavadeira, esses personagens muitas vezes são retratados de maneira rasa e paternalista e, em sua literatura, eles ganham a profundidade e clareza que lhe cabem.

O percurso das narrativas é claro: da infância à idade adulta, da margem ao miolo nervoso das metrópoles e da linguagem. A meninice nos anos 1960; histórias sobre futebol e a ditadura; questões ligadas à violência urbana; o universo das drogas, tudo vai se mesclando no livro, que confirma o lugar único de Luiz Ruffato na literatura contemporânea brasileira.

Clique aqui para ver o evento no Facebook.

TRECHO DO CONTO ÁGUA PARADA:

“Se visito o passado, são outros que desembaraçam os nós da minha vida: o homem que sou não reconhece o menino magro e melancólico que percorre sozinho os descampados em Bauru, nem o adolescente tímido que bate cartão na Ford, nem o rapaz confuso que, mochila nas costas, deixou para sempre São Paulo, nem os vários nos quais me revelei, desilusão após desilusão, extinguindo-me a cada vez para ressurgir mais duro, mais amargo, mais infeliz.”

SOBRE O ESCRITOR

Luz Ruffato nasceu em Cataguases, Minas Gerais, em 1961. Publicou diversos livros, entre eles Inferno provisório, Eles eram muitos cavalos, Estive em Lisboa e lembrei de você, Flores artificiais e De mim já nem se lembra, todos lançados pela Companhia das Letras. Em 2016, foi agraciado com o Prêmio Hermann Hesse, na Alemanha.

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