Debate: 30 anos sem Chico Mendes, a Amazônia e a reforma agrária

Date: 6 de março de 2018
Time: 19:00  to  21:00

Dercy Teles da Cunha e Osmarino Amâncio Rodrigues, líderes acreanos do movimento dos seringueiros, participam de debate na livraria e biblioteca Tapera Taperá sobre os e desafios da reforma agrária e da conservação ambiental na Amazônia.

Evento será mediado por Pietra Cepero Rua Perez e acontece no dia 6 de março, às 19 horas. Entrada gratuita.

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POR QUE FALAR DAS RESEX?

No dia 22 de dezembro de 2018, trinta anos terão se passado desde o assassinato de Chico Mendes. A luta do líder seringueiro era pela permanência das famílias seringueiras em seus territórios, ao mesmo tempo em que a Amazônia tinha sua floresta derrubada e suas terras eram griladas pelos latifundiários do Centro-Sul do país.

Um dos principais resultados da luta dos seringueiros entre os anos 1970 e 1980 foi a assinatura, em janeiro de 1990, da lei que criou as Reservas Extrativistas: surgia então, pela primeira vez, uma modalidade de reforma agrária associada a uma política de conservação ambiental.

A importância do modelo das Reservas Extrativistas estava na proposição de um novo paradigma para a manutenção da floresta “em pé” – principalmente para a Amazônia, que passava a ser concebida como “santuário ecológico”.

Passados quase três décadas da morte de Chico Mendes (e 28 anos desde a assinatura da lei que criou as Reservas Extrativistas), como vivem hoje as famílias seringueiras do Acre?

A partir dos anos 1990, interesses nacionais, internacionais, dos Estados e das ONGs entraram em xeque e até hoje definem os caminhos da reforma agrária seringueira. A participação popular, em contrapartida, têm sido cada vez mais silenciada.

As Reservas Extrativistas na Amazônia passaram a ser vistas como uma estratégia para os negócios, agora respaldados pela desculpa de serem “ambientais”. A captura da história seringueira pelo Estado e pelos agentes econômicos deram outros contornos para uma das principais políticas de reforma agrária e conservação ambiental do território brasileiro.

Além da histórica resistência contra os latifundiários, novas contradições e desafios emergiram no dia a dia das famílias seringueiras, impondo a necessidade de desenhar novas formas de resistência frente ao avanço do neoliberalismo.

PALESTRANTES

Dercy Teles da Cunha: acreana, nascida em Xapuri. Em 1980, com apenas 19 anos, torna-se a primeira mulher presidente do STR de Xapuri. Nos anos seguintes, junta-se ao Movimento de Educação Popular e vai militar em Carauari (AM) com os seringueiros. Retorna para Xapuri nos anos 1990 para auxiliar no processo de criação da Reserva Extrativista Chico Mendes. Nos anos 2000, elege-se duas vezes presidente do STR de Xapuri. Hoje é considerada uma das principais lideranças do movimento, que critica o avanço do latifúndio, a grilagem de terras, a expulsão das famílias camponesas e as violações e contradições da “economia verde” no estado do Acre.

Osmarino Amâncio Rodrigues: acreano, nascido em Brasiléia. Teve contato com movimento dos seringueiros na região do Alto Acre nos anos 1970, quando sua família foi expulsa do seringal no qual habitava. É considerado uma das lideranças mais próximas de Chico Mendes. Integrou o Conselho Nacional dos Seringueiros e foi responsável por fazer parte da equipe que negociou a criação das Reservas Extrativistas. Também foi presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasileia. Mora até hoje na Reserva Extrativista Chico Mendes e é considerado uma das principais lideranças que lutam pela questão agrária na Amazônia.

Pietra Cepero Rua Perez: geógrafa e mestranda em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP). Nos últimos seis anos vem realizando pesquisas com populações camponesas na Amazônia, tendo como objeto de estudo as questões agrária e ambiental na região. Em sua dissertação de mestrado, pesquisou a Reserva Extrativista Chico Mendes (Acre).

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