Lançamento: Maranhão 669 – jogos de phoder

Date: 18 de maio de 2018
Time: 19:00  to  21:00

No dia 18 de maio, às 19 horas, o maestro Ramúsyo Brasil lança filme e livro “Maranhão 669 e a potência das imagens”, com textos de Ramúsyo Brasil, Sara/Elton Panamby, Yuri Brito, Edu Cordeiro, Nayra Albuquerque, Matheus Santos, Áurea Maranhão, Silo Sotil, Carolina Libério, Luciano Linhares e Reuben da Cunha (poesia contracapa). Imagens de Carlos D Medeiros, Ricardo Coutinho, Diego Dourado, Filipe Espíndola, Sara/Elton Panamby, Carolina Libério e Jane Maciel.

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SOBRE O PROJETO

“A ideia gira em torno de um deputado que é correligionário de Sarney na eleição de 1966 e, num quarto hotel, onde escuta o discurso de posse, comemora a vitória do novo líder que se apresenta à população. Em um devaneio, é visitado pelo anjo da história benjaminiano que o levará para visitar o que acontecerá nos anos que virão no Maranhão após 1966. O anjo da história o carrega ao encontro do anjo infeliz, de Heiner Muller. Entre a alucinação e a alegoria se esconde a hiperrealidade da política. A estética da confusão encontra aí seu lugar, como ente que indaga a representação. Restitui na imagem a alegoria, o desvio da convenção direta, uma outra forma de dizer, por assim mostrar-se. Erradia irradia no corpo e na mente de quem vê… Chega primeiro ao corpo, depois a mente tenta significar, restituir, ou mesmo, destituir.

MA669 é um filme-pesquisa-política não só não capitalizável, mas também descapitalizante. Por isso, é um filme difícil de atravessar. Ele incomoda. É um ebó, um ritual, transformado em exercício do ver pela manifestação artística e política de todo um coletivo de artistas e pensadores, que se debruçaram por sobre as questões concernentes a outras possibilidades metodológicas de produção audiovisual enquanto potência. Recuperou-se a teatralidade perdida na atuação, aliada a uma aposta nos rituais performáticos como caminho para abrir novas veias no fazer audiovisual. A ideia de uma câmera-corpo, performática e dentro da cena, já vinha sendo trabalhada nos documentário sobre música massiva, possibilitando, assim, um maior diálogo e liberdade para os atuadores estarem em cena sem se preocupar com marcação, mas sim com sua fruição dentro dela. A sintonia do ritual do cine ebó se dava quase em um transe, onde tudo se voltada em direção à cena e ao fazer coletivo. As imagens eram frutos desse encontro.

No livro que agora se apresenta, catalogamos os resultados dessa pesquisa, que incluiu a apresentação de um artigo de minha autoria, sobre o escopo teórico e metodológico escolhido para trilhar esse caminho. Três críticas estético-políticas escritas pelo fotógrafo e filósofo Edu Cordeiro; pelo músico e filósofo Luciano Linhares, que compôs trilhas para o filme, e Silo Sotil, músico e compositor campineiro. O livro conta com interessantes relatos de experiência dos atuadores Sara Panamby, Áurea Maranhão e Yuri Brito, que ajudarão a entender o processo de construção fílmica. Há também dois ensaios sobre a câmera-corpo em MA669, dos videografistas e fotógrafos de cena Carolina Libério e Matheus Santos. A tessitura do texto conta ainda com a colaboração de Nayra Albuquerque, montadora do filme, que revela o processo de montagem do material à luz daquilo que ela cognomina de cinema de invenção, em contraponto e crítica à narrativa clássica. Para contemplar o desejo de transformar o livro também em um exercício de imagem, decidi reproduzir os cartazes das projeções de MA669 pelo Brasil e fiz convites especiais aos artistas visuais Filipe Espíndola, Diego Dourado e Ricardo Coutinho, para produzirem obras baseadas nas imagens de MA669 que acompanham o projeto gráfico do livro, além dos stills das gravações em Paquetá, realizadas por Carolina Libério e Jane Maciel. Este livro abre novas sendas metodológicas para quem pesquisa e trabalha com audiovisual e com arte-política no Maranhão, além de propor imbricamentos e aproximações entre o fazer artístico e o pensamento complexo teórico-metodológico advindo da academia. Aqui, a imagem-tempo olha para a historiografia linear clássica e diz: Olha o meu relógio!”

[Texto extraído do release de divulgação, assinado por Ramúsio Brasil]

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