Tapera Taperá

Tapera Taperá

“Na medida em que é sereno, também o não violento não estabelece relações de conflito com os demais com o objetivo de competir, de lutar, de destruir, de vencer; ele não é um vingativo, não guarda rancor, não tem aversão a ninguém, não odeia ninguém; e não é ávido pelo poder. É certo que ele jamais abre fogo; mas não teme dar início a um conflito, ou melhor, não teme que conflitos latentes se evidenciem, nem teme a luta. Porém, como refuta a violência... refuta também a lógica do poder segundo a qual deve haver sempre um vencedor e um perdedor; e maneja os conflitos de modo a fazer com que a solução não seja uma solução com soma zero, mas uma solução em que todas as partes ganhem e isso possa ser aceito por todos. Tendo em mente esse objetivo, o indivíduo sereno conduz a luta usando métodos que não ameaçam os interesses vitais do opositor, que apelam aos melhores traços do opositor e aos grupos mais abertos e sensíveis no interior do grupo adversário; usa métodos de luta que tendem a humanizar o opositor, em vez de desumanizá-lo... A não-violência é, portanto, o canal através do qual a serenidade se converte em força, uma força distinta e que opera de modo distinto da violência. O não violento refuta a violência sem ter por isso que se retirar da política; desmente, com seu agir, a definição da política como reino exclusivo da raposa e do leão.”

Giuliano Pontara, "Il mite e il nonviolento: su un saggio de Norberto Bobbio", citação na introdução do livro Elogio da Serenidade.